Educando bolsos: como investir com pouco - Parte 2 - Despesas Fixas



“Eu sei viver com pouca grana sem status, pouco luxo,

Sem internet, celular, sem pããão francês.

Meu idioma é português, com muito orgulho um brasileiro.

Viajo o mundo mesmo sem falar inglêêês...”


E você achando que um pagode não poderia te ensinar nada sobre finanças...

Particularmente acredito que alguns conceitos para a gestão de empresas podem ser aplicados à economia doméstica e à educação financeira. Isso porque o departamento financeiro de uma empresa é o responsável por administrar recursos, controlar os riscos e, por fim, definir os melhores investimentos. Percebeu? Não é muito diferente do que seus pais (ou quem tenha desempenhado essa função) fizeram para gerir a casa, planejar viagens em família etc.

"Filho... O que é Casanova Entretenimento?"

Assim como uma empresa, no último texto, passamos por uma espécie de “balanço”. Diagnosticamos quanto você recebe e o quanto empenha com despesas fixas e, por último, o destino do restante. Venha comigo, vamos entender melhor sobre suas despesas fixas.


Para uma empresa, despesas fixas são aquelas em que os valores independem do que for produzido ou vendido. Compreendem as contas mensais que o empresário deve arcar, como aluguel, funcionários, água, etc. Teoricamente, há quem fracione o conceito de despesa fixa em principais e secundárias.
Despesas fixas principais ou básicas são despesas de pagamento obrigatório, indispensável, que não permite redução de valor. O pagamento do aluguel, por exemplo, é obrigatório (caso queira continuar tendo onde morar) e, a princípio, não é passível de descontos ou negociação.

As despesas fixas secundárias também têm valores fixos, a diferença está na relevância da despesa, que pode ser eliminada em situações de corte de gastos. A internet é um exemplo: o valor é fixo e TEORICAMENTE não passível a negociação, entretanto quando a crise “aperta”, você facilmente pode optar por planos mais econômicos. O mesmo vale para planos de celular.

"Judiiiite. Não f@#$ comigo Judite, eu só quero diminuir meu plano!"


Quando é preciso fazer ajustes no orçamento familiar e pessoal, é normalmente mais simples (e rápido) modificar as despesas variáveis, reduzindo o consumo. Uma estratégia adotada pelo departamento financeiro de empresas é a transformação de despesas fixas em despesas variáveis. Falaremos disso lá no Minuto Simplinvest, em nosso Facebook e Instagram. Aqui, falaremos do processo mais trabalhoso, reduzir suas despesas fixas.

O Dr. Samy Dana, professor da Fundação Getúlio Vargas e autor de diversos livros ligados a finanças (incluindo o espetacular “10x sem juros”), diz que despesas fixas tais como supermercado, água, luz, telefone, condomínio, TV a cabo, internet etc idealmente devem estar limitadas a 50% da renda. Se estiver muito acima disso, é hora de repensar o padrão de vida para adaptar à realidade da renda.

- Querido, pufavô.... Meu pilates não é barato. Real
(Personagem feminino fictício)

- Por isso que é um frango! Whey bom é caro, parça!
(Personagem masculino fictício)

Cale-se! Não estou propondo falsas economias! Inclusive você sabe o que são falsas economias? São situações em que você acredita estar fazendo um bom negócio quando, na realidade, está aumentando sua despesa ou perdendo dinheiro. O conceito é discutido no livro “Dinheiro pode comprar felicidade”, da escritora americana MP Dunleavey.

Então se a massa muscular construída através do suplemento alimentar a base de soro do leite o faz feliz e produtivo, OK!!!

Não proponho um corte radical de gastos, mas sim o equilíbrio, o ponto ótimo entre o que paga, o que recebe e, finalmente, o que realmente consome.

Equilibrando as contas antes do Simplinvest


Por isso, deixo algumas dicas de como economizar em suas despesas fixas:

      Alimentação. Esse é um dos principais gastos! Comer fora todos os dias pode abocanhar (com o perdão do trocadilho) grande parte do seu salário. Tente levar comida de casa, a famosa “marmita”, o que a geração fit popularizou como sinônimo de saúde pode deixar seu bolso bem nutrido no final do mês (outro trocadilho infame, desculpe).

      Carro. Outra despesa que, em termos populares, “bate doído”. Entrar no financiamento de um carro só é justificado caso ele aumente sua renda (seja utilizado para trabalho). Caso seja apenas para passeio, é melhor poupar e comprar um carro à vista.

Optar por um modelo mais barato na primeira compra é uma ótima estratégia. Lembre-se dos gastos adicionais com estacionamento, seguro, manutenção, IPVA etc. Ricardo Pereira, educador financeiro e um dos fundadores do Dinheirama tem uma frase que particularmente acho fantástica: “brasileiro não é apaixonado por carro, é apaixonado por status”, pense nisso.

      Aluguel. Quando se mora de aluguel, é importante considerar a possibilidade de financiamento para ter um imóvel próprio. Você vai aprender com a gente a investir, planejar a longo prazo, estudar as melhores opções... Acredite, um bom planejamento é mais eficiente que o “Baú da Felicidade” em matéria de casa própria.

      Internet e telefone. Se você mora sozinho, tem jornada de trabalho de 8 horas, passa pouco tempo em casa e utiliza a internet apenas para redes sociais, estudos, Netflix e download ilegal de seriados, faz sentido pagar por um plano de internet de 100 Mb com 600000 minutos de telefone fixo? NÃO! “Ah cara, mas eu gosto que o filme carrega rápido no Netflix”. Volte à dica número um: deixe o filme carregando enquanto prepara a marmita. Qualquer plano (seja celular, internet, sócio torcedor) tem que estar coeso com sua realidade, do contrário, é desperdício.
  
      Eletrônicos. Escolha aparelhos eletrônicos pelo custo-benefício somado à utilidade. Uma suposição: o Iphone 12 terá de aprimoramentos uma grelha argentina onde você poderá preparar um churrasco e escolher o ponto da carne, além disso ele vem com babá eletrônica... O problema é que você é vegetariano e não pretende ter filhos. Faz sentido adquirir tal produto? (Pergunta retórica, pessoal, mas o gabarito é “não”).

      “Condomínio”. Viver nos grandes centros urbanos está cada vez mais difícil (leia-se: caro). Condomínios, sejam eles verticais ou horizontais, geralmente possuem uma taxa popularmente batizada de “condomínio”. Caso essa taxa seja muito alta, considere fazer parte do conselho administrativo do condomínio. Sabia que o “Seu Arnaldo” (síndico do prédio no meu primeiro texto) recebe desconto nas taxas do condomínio? Pois é.

      Educação. Eis o mais polêmico dos itens. “Peraí, agora eu gostei! Quer dizer que posso sair do curso de inglês pra economizar uma grana?! SHOW! Eu odeio aquela merda sábado de manhã! ”. Não, não é isso.

 Educação, com toda a certeza, é o maior investimento para obter melhor renda no futuro. Na linguagem financeira, é o ativo com maior rentabilidade que você pode comprar. O que eu aconselho é buscar outras alternativas. Quer fazer o curso de alguma ferramenta digital (Excel, Autocad etc)? Tem um “zilhão” de videoaulas no Youtube. “Ixi, mas eu não tenho essa disciplina não...”, cursos EAD (educação a distância), cursos ofertados por universidades etc. As opções estão aí, basta explorar.

Espero ter ajudado. Esta semana não teremos “lição de casa”, apenas tentem aplicar as dicas acima este mês. Vamos tentar colocar essas despesas fixas dentro dos 50% da renda?
Esse é o segundo texto da série “Educando bolsos” aqui no Simplinvest, onde você vai aprender que sim, é possível investir com pouco. Nosso próximo encontro é sobre lazer e como se divertir sem colocar em risco sua vida financeira.


Grande abraço e até logo.